Artistas (e você) desenham raios de maneira errada há séculos

Raio (Foto: chamerastry/Flickr)

 

Se você desenha raios como se fossem um ziguezague, saiba que não está sozinho — mas isso não quer dizer que você esteja certo. Acontece que, mesmo que a compreensão sobre esses fenômenos aumente a cada pesquisa, nossa percepção sobre os raios ainda precisa ser atualizada.

Quem chegou a essa conclusão foram os pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, que estudaram como os raios são representados ao comparar 400 fotografias dessas cargas elétricas com 100 pinturas feitas entre os anos 1500 a 2015.

Ao contrário dos raios de verdade, a maioria das representações apresentam poucas ramificações. Segundo o artigo, publicado em um periódico da Royal Society, isso pode ser explicado pela influência da cultura e arte grega sobre os pintores (e o nosso imaginário), já que os gregos frequentemente representavam Zeus segurando um único raio em ziguezague e sem ramificações — este mesmo que você costumava desenhar quando era pequeno.

Os pesquisadores também notaram que, conforme o estudo sobre os raios aumentou, a representação deles em pinturas também foi melhorando, ainda que os desenhos continuem tendo menos ramificações do que podem ser vistas na natureza.

Todo esse questionamento começou com a estudante de doutorado em física biológica Alexandra Farkas, que se interessou pelo impacto do trabalho de William Nicholson Jennings (1860-1946), considerado o primeiro fotógrafo a conseguir registrar um raio.

Primeira foto de um raio, tirada por William Nicholson Jennings em 2 de setembro de 1882. (Foto: Via Hiperallergic)

 

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Farkas ficou curiosa para saber se o fato de os raios terem começado a ser fotografados afetou a maneira como os artistas representam o fenômeno, já que as fotos mostravam que ele era bem mais completo do que as pinturas.

Como foi dito, a representação tem melhorado ao longo dos anos, mas ainda não é fiel à realidade. Embora os raios fotografados tivessem cerca 51 ramificações, o número máximo de ramos encontrados em pinturas foi de 11.

Por isso, os pesquisadores fizeram um pequeno experimento: eles apresentaram a algumas pessoas fotos de raios que eram rapidamente exibidas na tela do computador e perguntaram a elas quantos ramos tinham visto. Quando a quantidade de ramificações era menor do que 11, as pessoas acertavam com maior exatidão esse número.

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